SAÚDE: OS REMÉDIOS QUE NÃO PODEM FALTAR - PARTE II - POR EDINEI MUNIZ

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POR EDINEI MUNIZ

Ao aplicar apenas 11,30% quando deveria ter aplicado no mínimo 12% da receita de impostos em ações e serviços públicos de saúde entre janeiro e fevereiro deste ano, o governo retirou da população o montante equivalente a R$ 6,2 milhões. 

A compra de equipamentos está no rol de despesas permitidas pela Constituição Federal para o cumprimento do gasto mínimo obrigatório de 12%. 

O montante de R$ 6,2 milhões que deixou de ser aplicado no primeiro bimestre de 2019 seria suficiente para a compra, com uma boa margem de folga, de pelo menos duas ambulâncias completas e ainda sobraria dinheiro para a compra de mais três equipamentos de tomografia computadorizada para suprir as demandas dos hospitais públicos. 

O dinheiro, bem aplicado, daria para reforçar bastante o serviço de diagnóstico por imagens do Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco e da Fundhacre, à título de exemplo. 

Em relação ao Hospital de Clínicas, dados de atualização obrigatória fornecidos pelo SUS, atualizados até 30 de abril deste ano, informam que o referido hospital conta com apenas uma ambulância, por sinal, terceirizada. 

O mesmo hospital, conta apenas com um único  aparelho de tomografia computadorizada e mesmo assim não atende pelo SUS, enquanto a iniciativa privada possui sete, sendo que três deles atendem pelo SUS. 

Ao todo, existem onze tomógrafos informados ao SUS em funcionamento no Acre, sendo que apenas três deles pertencem ao estado. Um está na Fundhacre, um no Hospital Geral de Clínicas e outro no Hospital Regional do Juruá. 

Vejam o absurdo dessa continha. Dos onze, cinco deles atendem pelo SUS. Dos cinco que atendem pelo SUS, três são privados e dois públicos. 
Ou seja: a iniciativa privada tem mais tomógrafos prestando serviços para o SUS do que o Poder Público Estadual. 

A situação mostra-se gravíssima quando olhamos para os indicadores de MORTALIDADE hospitalar no Acre, onde o câncer figura como a segunda causa mais expressiva de óbitos. Só lembrando, o tomógrafo ajuda no diagnóstico do câncer.

Só para termos uma ideia, nos últimos dois anos, de abril de 2017 a abril de 2019, ao todo, 339 pessoas morreram de câncer nos hospitais acreanos. 

Segundo informa o SIGEM – Sistema de Informação e Gerenciamento de Equipamentos e Materiais do SUS, um tomógrafo computadorizado, com especificações similares aos que hoje estão em funcionamento nos hospitais públicos, custa por volta de R$ 800 mil. 

Com o dinheiro que o governo deixou de aplicar em ações e serviços de saúde no primeiro bimestre de 2019, feitas as contas, daria para comprar pelo menos uns três tomógrafos e ainda sobraria bastante dinheiro para a compra de outros equipamentos que são requisitados no âmbito do diagnóstico por imagens.

Quanto a tais equipamentos, os dados mostram que os mesmos abundam na iniciativa privada. E, conforme já provado, fazem muita falta no ambiente público da saúde. 

Porque será?







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