O Piadista do STF - Por Cássio Rizzonuto

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Cássio Rizzonuto
(11/06/2019)

As declarações mais surpreendentes, com relação ao caso dos hackers que supostamente invadiram os celulares de membros da Lava-Jato (entre eles o hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro), vieram do ministro Marco Aurélio (STF). E o que disse sua excelência?

Que a ocorrência praticada por criminosos criou impedimento à candidatura do ex-juiz federal “ao STF”. E disse mais: afirmou que, agora, “tenho dúvidas, até mesmo, com relação à permanência de Sérgio Moro no Ministério da Justiça”.

Não fosse a conhecida seriedade, imparcialidade e honradez de Marco Aurélio, iríamos acreditar que o ministro está torcendo com fervor para a derrocada de Moro. É certo que Marco Aurélio não gosta de ver ninguém preso (foi ele quem soltou Alberto Cacciola, que fugiu do Brasil, além de alguns traficantes de peso), mas tenha paciência!

O ministro jamais se pronunciou a respeito da reportagem da revista digital Crusoé (com fartas provas), apontando o presidente do STF, Dias Toffoli, como receptor de propina de cem mil reais oriunda de escritório de advocacia que pertence à esposa. Se o caso de Moro é tão grave (sem nada provado), o referente a Dias Toffoli requer prisão.

Não, não existe equívoco: Marco Aurélio é o mesmo ministro que se manifestou sempre contrário à prisão de Lula da Silva, alegando que devido à popularidade do ex-presidente iria acontecer comoção social, uma revolução nas ruas se ele fosse preso. O fato é que ele foi preso e nada aconteceu.

Tem gente que afirma que o Estado brasileiro está formado por quadrilhas da mais alta periculosidade e que, dentre essas quadrilhas, o Judiciário, que até hoje vem sendo poupado de qualquer investigação, é o que abriga o maior número de criminosos.
Mas nada se faz, porque a maioria dos principais responsáveis pela elaboração de leis (deputados e senadores), encontra-se envolvida nos mais diversos crimes e denúncias e tem o rabo preso para tomar providências.

Existe, hoje, enorme dificuldade para a aprovação do pacote anticrime de Sérgio Moro. Deputados não querem aprovar legislação que pode se voltar contra eles. Perseguir bandidos é perseguir a maioria dos deputados, envolvida em roubos, peculato e crimes dos mais diversos.

O que o ministro Marco Aurélio não percebeu, ainda, é que o ministro Sérgio Moro transcendeu a tudo isso que aí se encontra, inclusive ao próprio STF. Sua reputação está milhões de decibéis acima do barulho efetuado por organizações criminosas, dentro e fora do Estado.

Por isso, quando se ouve alguém dizer que Moro perdeu, ao sair da magistratura, percebe-se a mesquinhez e falta de compreensão dos fatos. O que essa gente deseja é a manutenção de tudo o que aí se encontra, como se não estivesse acontecendo mudança na organização social do país, mesmo que aos trancos e barrancos.

O próprio jornalista Elio Gaspari, que estava pendurado numa estatal com altíssimo salário (ele pediu demissão e saiu disparando contra tudo e todos, depois de descoberto), acredita que tentar minar Sérgio Moro e derrubar Bolsonaro é a saída para reverter o anseio por alternâncias. Não percebe a insatisfação do povo.

Mesmo com as denúncias contra o filho de Bolsonaro, e mesmo em se reconhecendo as hesitações do presidente, ninguém quer mais o PT de volta ou as quadrilhas de ladrões desmoralizados que o compõem. A população quer avançar nas transformações. Nesse sentido, o ministro da Justiça parece ser um caminho.
Quanto ao ministro Marco Aurélio, o melhor seria o STF corrigir absurdos que saltam aos olhos, cometidos naquela Casa, e que arruinaram a reputação da instituição.


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