Uma porta para o Caribe e o Mundo



Márcio Accioly
(22/05/2019)

A recente visita do embaixador George Talbot (República Cooperativa da Guiana), ao senador Mecias de Jesus (PRB-RR), e à Assembleia Legislativa de Roraima, tem como principal objetivo estabelecer convívio mais aproximado com um vizinho que considera “confiável”.

O Brasil, na visão dos guianenses, sempre cumpriu acordos estabelecidos. A impressão remonta à “Questão do Pirara”, resolvida por Joaquim Nabuco no início do século XX, quando nosso país cedeu cerca de dois terços do seu território onde hoje fica Roraima. Com essa perda, o Brasil deixou de ter acesso à bacia do Essequibo.

Recentemente, foram descobertas significativas reservas de petróleo na Guiana. Como não existe nada que impeça a circulação de “grande lençol petrolífero subterrâneo, pela Região, em especial entre as fronteiras, é possível que em Roraima esteja localizada riqueza imensurável”, diz o senador.

O representante roraimense tem coletado informações para dar respaldo à tese de que a ex-Guiana Inglesa pode e deve ser nomeada como grande parceira do Brasil na caminhada em busca do desenvolvimento. A Guiana precisa de infraestrutura para fazer com que sua economia avance. O país oferece o acesso ao Caribe de que o Brasil carece.

Além do mais, existe, na própria Guiana, amplo mercado comercial que poderá colocar Roraima como espécie de entreposto na distribuição de produtos brasileiros. Com área territorial de pouco mais de 214 mil km², sua população de quase 800 mil habitantes oferece a possibilidade de se tornar consumidora por excelência dos produtos brasileiros.

De Boa Vista até o município de Bonfim (fronteira com a Guiana), são 124 km de estrada asfaltada. Atravessando-se a ponte internacional, que fica sobre o rio Tacutu, encontra-se a primeira cidade guianense: Lethem. Ela dista em torno de 500 km da Capital da Guiana, Georgetown. A estrada é intransitável no inverno e precaríssima no verão.

O embaixador Talbot disse ao senador Mecias que o seu país deseja estabelecer acordo de cooperação com o Brasil, para levar asfalto desde a fronteira brasileira até Georgetown. A Guiana mostra-se interessada em parcerias, inclusive com empresários brasileiros, abrindo leque de investimentos que possam produzir resultados positivos.

Se acontecer essa parceria entre os dois países, assumindo-se compromissos no campo das relações comerciais, o setor de turismo será o maior beneficiado, retirando-se Roraima do isolamento a que vem sendo compelido, em função de sua posição geográfica. O estado brasileiro, cuja Capital está acima da linha do equador, tem muito a oferecer.

Atualmente, Roraima é espécie de “fim de linha”, sem saídas viáveis que permitam seguir até o Caribe, pois a situação explosiva da Venezuela fechou a única porta terrestre que descortinava aquele cenário. A Cidade guianense de Lethem, na fronteira com o município brasileiro de Bonfim, abriga pequeno comércio de produtos importados.

Mas isso é tudo que é capaz de proporcionar. Sem uma rodovia que permita seguir até Georgetown, o movimento turístico não encontra motivação indispensável para ser ampliado.

A investida do embaixador George Talbot (que esteve na Assembleia Legislativa de Roraima e em audiência com o governador Antônio Denarium, acompanhado do embaixador brasileiro na Guiana, Lineu de Paula), abre novas perspectivas. E Mecias de Jesus tem se empenhado sobremaneira para o perfeito encaminhamento das demandas.
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