MANEJAR O CARTÃO VERMELHO É FÁCIL. DIFÍCIL É O MANEJO DO AMARELO

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Por Edinei Muniz

O bom árbitro é aquele que promove o jogo impondo disciplina de meio, que é aquela que não expulsa. O bom árbitro, quando expulsa, não ouve xingamentos dos expulsados. Ao contrário, impõe cabeça baixa até o vestuário.


O bom estadista, por sua vez, jamais esquece aquela que talvez seja uma das suas posturas  mais elementares: Ele não é o DONO DA BOLA. Ele é o ÁRBITRO. O bom estadista não é aquele que entrega uma carta de autorização e, achando ser o bastante, diz:
 
- Te vira aí ou te degolo em Praça Pública se não der certo. 


O bom estadista acompanha, monitora, chega junto, regula, ajusta, corrige distorções, avalia e revisa. E o fundamental: oferta apoio e segurança. 

O manejo do cartão vermelho é o caminho mais fácil. Afinal, parar o jogo quando se tem poder até o mais medíocre dos seres humanos  consegue. 

O difícil não é o manejo do cartão vermelho. Difícil mesmo, seja na grama ou nos palácios,  é manejar o cartão amarelo. E é por motivos escandalosamente óbvios:  o cartão amarelo exige eficácia disciplinar e eficácia no exercício da autoridade por parte de quem o maneja. 

O cartão amarelo testa a capacidade do alerta ser de fato observado. Quem aplica o amarelo  para depois ter que aplicar o vermelho deve ter algum vício na manifestação da própria autoridade.

O bom árbitro, quando aplica o cartão  amarelo - e com ele consegue evitar a reincidência que poderia tornar o vermelho inevitável - corre o feliz risco de chegar em casa e ao ligar a TV ser surpreendido por comentários indicando que aquele jogador, que poucas horas atrás encontrava-se à sua frente de cabeça baixa de braços cruzados, foi eleito o melhor em campo naquele mesmo jogo que, por um apito de autoridade intempestiva sua, poderia ter tomado outro rumo. O péssimo árbitro não é aquele que aplica o vermelho. O vermelho é necessário muitas vezes. 


O péssimo árbitro se faz quando vai acumulando nas súmulas dos jogos muitos cartões vermelhos sem que antes tenha aplicado o amarelo ou, o que é mais grave, quando aplica o amarelo sem efeito.

O que esperar da capacidade disciplinar de um árbitro que costuma expulsar sem o amarelo e, quando raramente o aplica, não tem efeito e precisa expulsar.

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