A lógica das nomeações de Gladson e o infantil e assustador desleixo com a busca por bons resultados. Por Edinei Muniz

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Por Edinei Muniz 

Um dos maiores e mais graves vícios do governador Gladson Cameli é que ele nomeia para dar aos nomeados apenas as benesses dos cargos. 

Gladson raramente maneja a caneta mais poderosa do Estado do Acre pensando em resultados. 

Agindo assim, por tabela, Gladson advoga contra a sua credibilidade, confiança e, claro, a própria imagem, precocemente carimbada com duas textuais gravíssimas: incompetente e despreparado para o cargo.

Gladson governa de modo bem similar à imensa maioria dos prefeitos das pequenas cidades do interior. 

Ou seja: Gladson entrega cargos importantes como mera 'oferta de emprego', 'bons salários' e 'status medíocre e forçado'. Não é por outra razão que a maioria desses municípios, de modo crônico, apresenta eternas dificuldades para o fechamento da folha de  pagamento no final do mês. 

O Acre é pequeno, provinciano, bairrista e etc. e tal. É, isso é verdade! Assim como também é verdade que a nossa terra querida possui solo fértil para o fisiologismo político tupiniquim na sua pior versão. 

No entanto, nossos problemas sociais e econômicos são gigantescos e estão a exigir intervenção profissional eficiente e uma política contundente inclinada à busca permanente de bons resultados. 

Como compensação óbvia, quando não for possível um bom nível de profissionalismo, que ao menos tenhamos bons níveis de compromisso e dedicação. 

Quanto ao custo da máquina, alguém poderá contestar essa verdade vinda do Gladson argumentando que a reforma administrativa por ele encampada diminuiu significativamente o número de cargos. 

Sim! Isso é plenamente verdade! 

Tá! Mas do que adiantou ter diminuído o peso financeiro da máquina se o mesmo governo não conseguiu promover ganhos de eficiência após ter instalado - em meio à infindável disputa por espaços de poder - o aparato administrativo que daí brotou pela caneta do Chefe do Palácio Rio Branco?

Do que adiantou termos uma máquina enxuta do ponto de vista dos cargos políticos e de livre nomeação se tal estrutura não consegue, de modo eficaz, produzir resultados, ainda que mínimos?

Eu mesmo respondo: de nada adiantou, já que, sem eficiência administrativa, os problemas, a maioria já em estágio terminal, seguem crescentes em relação aos níveis de agravamento.

Enfim, conforme vem dizendo sabiamente o meu amigo Alércio Dias, a gestão institucional, administrativa e política dos problemas do Acre não admite mais tão elevados, severos e gravíssimos níveis de amadorismo. 

Alércio Dias está certíssimo! E peço permissão ao mesmo para um necessário complemento vindo da realidade gritante dos dias: 'pior fica quando misturamos amadorismo com descompromisso, como tem sido até aqui, incontestavelmente, o caso do governo Gladson' 

Aí, meus queridos amigos, após o ingresso de  tal tempero negativo adicional, o fracasso torna-se um horizonte mais que certo.Vira a tragédia da tragédia e sua certeza vem na forma de tragédia da tragédia anunciada. Fartamente anunciada, diga-se! 

É óbvio que inverter a lógica do fisiologismo político não é algo assim tão simples. Em verdade, talvez nem seja possível tal intento. 

Não tenhamos  ilusões demagógicas quanto a isso. Porém, francamente, não é o caso! 

Sempre haverá uma parcela  grande do governo infectada por tais vícios e tal mácula não é exclusividade do Acre e muito menos do governo Gladson. 

O que não podemos é confundir margem de nomeações disponíveis para negociações políticas com 'margem vital' de nomeações necessárias para o encaminhamento das ações de governo.

É vital a qualquer gestor - e mais ainda em cenários  fortemente impactados pelo fisiologismo - a preservação dos ambientes onde compromisso com resultados, eficiência e lealdade, falem mais alto. 

No caso do governo Gladson, há um vício catastrófico de origem no tocante à sua composição. 

Se fosse possível e recomendável, o certo seria parar tudo e começar do zero, mas isso não é mais possível, aceitável e nem de longe recomendável.  

O vício de origem brotou pq Gladson ao ceder em excesso para os grupos internos de pressão - sem colocá-los olho a olho na mesma sala em busca de saídas negociadas -acabou provocando o isolamento de tais grupos e a consequente ampliação da tendência a disputas intermináveis que hoje tornam a integração do governo um sonho impossível. 

Enfim, Gladson não conseguiu montar o governo pelo viés da distribuição negociada e consensual dos cargos. Recusou o papel de governador e vestiu a camisa do espatifador sem nexo.

Ao agir deste modo, Gladson conseguiu transformar o necessário debate interno numa medonha, nefasta e perigosa queda de braço onde os grupos dão prioridade apenas aos próprios espaços de poder.

Quando, pela via do diálogo, você CEDE mediante compromisso de compensação, o ambiente interno torna-se mais salutar e favorável à produtividade. E é do alinhamento produtivo que brotam os bons resultados. Aliás, só deste modo eles brotam!

De outra banda, quando você  PERDE - sem nem ao menos ser ouvido - o que daí brota é a síntese do governo Gladson: as divergências ampliam e o foco deixa de ser o governo e passa a ser a pressão pela compensação das perdas, ampliando o congestionamento e o tensionamento interno, ou a sabotagem da atuação dos vencedores,

Para complicar mais ainda tal desacerto político, Gladson ainda tratou de agravar, e muito, tal quadra de equívocos ao inserir um grupo de alienígenas, sem nenhuma legitimidade política histórica, para o exercício do papel de mediador da composição de Governo. 

Estou me referindo ao bloco liderado por Antonio Malheiros e seus apêndices. 

O referido erro foi tremendamente infantil. E foi por duas razões: além de serem estranhos no ninho e sem capacidade alguma para o exercício do diálogo, tal grupo não ficou restrito ao ambiente da condução das negociações decorrentes do referido "diálogo". 

O grupo de Malheiros passou a disputar espaços com a banda legítima do debate e tornou-se um grupo à mais em meio à já acirrada disputa interna promovida pelas lideranças e partidos que, de fato, gozam, em efetivo, do direito de serem ouvidos no debate da composição de governo após 20 anos de luta heróica, desgastante e duríssima contra o PT. 

O problema é que o grupo do conselheiro, apesar de estranho ao debate, carrega consigo vantagens competitivas imensas. 

Citarei duas: a chancela familiar, liderada pelo pai de Gladson (quem é que não ouve o próprio pai?) e a incapacidade de consenso e diálogo vinda daqueles que, de fato, merecem um lugar na mesa. 

Agora, o sururu tá formado, e a única forma de salvar o governo é a promoção de uma recomposição negociada do próprio governo. Com uma advertência: será apenas um paliativo. 

Mas, porém, faz bem lembrar: trata-se de um paliativo político irrecusável. 

É, meus amigos, a política muda como as nuvens, é bem verdade, mas quando as nuvens  estão muito escuras e pesadas, o temporal é certo. Gladson terá que aprender a dançar na chuva. 

Um bom começo para ao menos melhorar  tudo isso - caso salvar o governo seja a sua vontade - é Gladson reivindicar, em definitivo, o direito que lhe foi outorgado, que é finalmente instalar a parcela produtiva do seu governo, nomeando pessoas capazes, compromissadas e leais, oriundas da antiga oposição. 

E, deixemos de babaquice, existem excelentes quadros com perfis aptos a bem servirem o atual governo seja qual for a linha de intervenção. Nos poupem! 

Se eu fosse o Governador Gladson Cameli, de cada dez frases proferidas pelo mesmo de agora em diante, cinco carregariam consigo a palavra UNIDADE. As outras cinco, a palavra RESULTADO. 

Gladson terá agora que desempoderar a força  dos grupos isolados por consenso imperativo. Tal antídoto, não tem jeito, irá provocar efeitos colaterais. 

A parcela de poder retirada de tais grupos deverá ser, necessariamente, convertida em espaços de compromisso, trabalho e permanente busca por melhora progressiva. 

No entanto, Gladson terá que suportar os seus efeitos ou logo será apenas o Bobo da Corte, este que é, por sinal, o papel preferido da quase integralidade dos grupos de poder que ele mesmo instalou no seio do seu vacilante e derrapante governo. 

É de diálogo que esse governo precisa!


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