A LEI NÃO TEM FORÇA PARA REVOGAR A HISTÓRIA



* "Vontades" não são contratos no âmbito da História

Por Edinei Muniz

Como hoje é domingo, irei perder um pouco do meu tempo com o novo besteirol da pauta, esse que envolve o verde em cima e o amarelo embaixo vindo do tal "debate histórico" sobre o "ser ou não ser" da nossa linda bandeira - onde, se é que realmente estou no rumo certo, a representação do sangue derramado pelos bravos pioneiros, a 'estrela altaneira', encontra-se exposta a risco de rebaixamento.

Vamos lá! Confesso que não sei exatamente quais são as motivações históricas que servem de inspiração para aqueles que estão a sugerir mudanças no jeito de ser da nossa bandeira. Ficarei devendo!

E ficarei não por não saber da origem de tal eco e sim por não querer saber mesmo em razão da certeza prévia de que nada mudará minha opinião quanto ao assunto.

Preconceito ou arrogância?  Não! Não é nada disso! Descartei os argumentos por pura, integral e irremediável convicção de que, no caso específico, a história que vale à pena ser preservada é a que vigorou até aqui.

E mais: vigorou ausente de registros de gritos anteriores, ainda que baixinhos e pouco audíveis, na direção pretendida por aqueles que almejam mexer no que está quieto.

Entendam 'gritos anteriores' como acúmulos de divergências, oposições, resistências e argumentos registrados em sentido contrário ao longo do tempo histórico percorrido pela bandeira no espaço compreendido entre o instante temporal original da sua criação até os dias atuais.

O que estou vendo por aí, pelo o que se nota, é apenas um grito isolado visivelmente alheio à necessária percepção de que o tempo é o motor e o palco da história.

No presente caso -  e, nós, o povo, temos esse direito - já  mudamos o enredo da história no seu palco, se é que o tal "erro" existe, o que não creio.

E mudamos, diga-se, sem vaias lançadas na direção do mesmo palco, já que ninguém nunca contestou isso.

Convenhamos, o fato de uma fonte histórica apontar que a vontade dos idealizadores da bandeira seria outra, nem de longe, dará a tal fonte o poder de sobrepor-se à realidade histórica que, pacificamente, ao longo do tempo percorrido, inclinou-se noutra direção.

A história não é como uma receita de bolo apta a percorrer o tempo sempre com o mesmo sabor.

A verdade do passado - o como foi ou o como alguém almejou que fosse - não faz necessariamente Lei no presente.

E não faz porque vontades no ambiente histórico não são contratos. Vontades, na história, são representações fáticas temporais carentes de imunidades. Do contrário, não seria História.

No caso, o percurso histórico da bandeira na forma como a mesma deve continuar sendo, é que representa, a meu juízo, o traço mais robusto.

Se houve um erro ou alteração histórica da bandeira, tal fato representa apenas uma parte integrante da história da própria bandeira.

Alterá-la agora seria uma aberração. Uma verdadeira marmotagem, sendo mais categoricamente preciso.


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