RAPHAEL ERA UM ESTRANHO NO NINHO E TRAVAVA O GOVERNO POR EXCESSO DE PROTAGONISMO IDEALISTA

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Rafael Bastos (Foto: Reprodução)

Por Edinei Muniz 

Sempre que alguma figura importante do governo é exonerada surgem logo especulações sobre os motivos da saída. É normal! 

A maioria, influenciada pela virulência do infindável debate interno por cargos, acaba por pegar o caminho mais fácil e termina muitas vezes propagando argumentos que não conseguem chegar nem perto da realidade concreta dos fatos. 

Vejamos o caso do Raphael Bastos, exonerado no dia de hoje da Secretaria de Planejamento do governo Gladson Cameli. 

Não é verdade que havia uma disputa interna, focada em cargos, direcionando interesses  pela saída de Bastos. Isso não é verdade! Se havia, não foi decisiva para a saída. 

O que houve em relação ao Raphael foi uma visível e crescente falta de sintonia com dois dos setores mais cruciais e vitais nos encaminhamentos do governo: o setor econômico e a própria visão de desenvolvimento de Gladson. 

Nesse último caso, expressa pela Casa Civil, que é o aparato  irradiador objetivo da gestão, já que representa a assessoria imediata de articulação e integração do governador no tocante à sua visão de gestão e de desenvolvimento. 

E foi exatamente aí, nos dois pontos mencionados, onde as coisas foram ficando insustentáveis para Bastos e a saída tornou-se inevitável. 

A Secretaria de Planejamento carrega consigo a missão de ser ao mesmo tempo o maior eixo técnico formulador e também o articulador da integração institucional do governo. 

A pasta é técnica e quando tiver que vir à boca do palco político precisa utilizar-se de argumentos técnicos. 

Em síntese: a Secretaria de Planejameto, por lógica, deve mover-se por 'argumentos técnicos no ambiente político' e não por  'argumentos políticos no ambiente técnico'. 

O tensionamento que provocou a saída de Bastos brotou muito mais das dificuldades nos encaminhamentos do Plano de Desenvolvimento do governo do que propriamente por disputas menores por cargos ou até mesmo em razão de eventuais  retaliações, como alguns andam dizendo por aí. 

Raphael não deixou o governo por ser incompetente. Saiu por excesso de protagonismo político vindo de um ambiente  cuja meta institucional é exatamente a busca da unidade e do centralismo no tocante ao espírito da gestão. 

Havia visível desarmonia entre Raphael e os demais setores do governo. E o planejamento não pode ser 'ilha'. Tem que ser a praia e o porto seguro da formulação de governo. 

Raphael foi vítima de excesso de idealismo, por sinal, desfocado do eixo objetivo da proposta de desenvolvimento de Gladson.

Enfim, Raphael Bastos, apesar das boas qualidades técnicas que demonstrou ter, encontrava-se visivelmente na condição de 'estranho no ninho' e cometeu o erro de expor em excesso suas posições pessoais a um governo cujas propostas não se mostravam historicamente compatíveis com as suas. 

Bastava a Raphael ter lido o Plano de Governo de Gladson. 

Não se trata aqui de julgarmos quem está certo ou errado no tocante às plataformas de encaminhamentos do modelo de desenvolvimento. Não é o caso! 

Ambos os modelos possuem bons argumentos, mas Raphael esqueceu que a sua missão principal jamais seria impor tentativas de inversão do eixo central das propostas do governo Gladson Cameli.


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