Produtor de café do Planalto Central recebe Prêmio Ernesto Illy

Nenhum comentário

Pela primeira vez um representante da Região Centro-Oeste fica entre os três primeiros lugares no concurso

O Planalto Central abriga estados importantes na produção de café, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Porém, o Distrito Federal também vem despontando no setor.

Apesar da área plantada de café no Distrito Federal ser pequena, de apenas 438,38 ha, a região se sobressai quando o assunto é produtividade, que está entre as melhores do país. A média de colheita por hectare é de 43 sacas, incluindo o café de sequeiro, podendo alcançar 55 sacas em área irrigada.

De acordo com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), foram produzidas na última safra 1.152,98 toneladas do grão. Vale destacar que a maior parte do café da região é o da variedade arábica, sendo totalmente irrigado. Uma das razões para a boa produtividade está nas condições climáticas favoráveis, como a altitude e a baixa umidade do ar.
Outra característica importante do café produzido no Distrito Federal é a alta qualidade do produto. “A baixa umidade na região dificulta que o grão apodreça e dá um diferencial ao café produzido aqui”, explica Marconi Borges, gerente da Emater-DF.

Prêmio – A qualidade do café produzida na região já é destaque no cenário nacional e rendeu até prêmios, como garante o produtor rural Carlos Alberto Leite Coutinho, vencedor em 3o lugar do 28º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Expresso, realizado em São Paulo no início de abril.
“O Distrito Federal e Entorno tem uma extraordinária aptidão para a produção de cafés especiais, aspecto que desconhecia quando iniciei o cultivo. A descoberta dessa aptidão me proporcionou a conquista de três prêmios regionais e a classificação entre os finalistas nacionais no 28º Prêmio Ernesto Illy, uma das mais importantes premiações da cafeicultura brasileira”, explica Coutinho.
Segundo o produtor, a região do Distrito Federal possui um enorme potencial para estar entre as principais regiões produtoras de cafés especiais do Brasil. “Uma excelente oportunidade para a diversificação da nossa agricultura”, conclui.
Carlos Coutinho cultiva 300 mil pés de café arábica desde 2008, em uma área de 80 hectares em Sobradinho e Brazlândia, cidades-satélites de Brasília. Só na última safra, o empresário colheu 2 mil sacas do produto.
A premiação representa um marco para o setor. Afinal, é a primeira vez que um representante da região Centro-Oeste alcança os três primeiros lugares no concurso, posições geralmente ocupadas por cafeicultores mineiros.

Estimativas – De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a primeira estimativa para a produção da safra cafeeira (espécies arábica e conilon) em 2019 indica que o país deverá colher entre 50,48 e 54,48 milhões de sacas de café beneficiado. O resultado representa diminuição de 18,1% a 11,%, respectivamente, quando comparado com a produção obtida em 2018. A área destinada a essa produção também deve apresentar redução em relação à temporada passada, podendo reduzir 1,2% e atingir 1.842,2 mil hectares.
AgroBrasília – A Feira Internacional dos Cerrados, que acontecerá entre os dias 14 e 18 de maio, irá apresentar para os visitantes duas áreas demonstrativas com diversas variedades de cultivares de café, sendo uma dessas áreas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O café terá um amplo espaço no evento, levando em consideração o grande potencial da região para o cultivo do grão, principalmente o café irrigado.

Nutrição complementar via folha é fundamental para a agricultura no Cerrado
Um dos destaques entre os expositores da AgroBrasília será a Ubyfol, multinacional brasileira que desenvolve fertilizantes especiais e que pela primeira vez participa do evento.
Para estrear com o pé direito, a empresa levará aos produtores e visitantes todo o seu portfólio composto por produtos especiais, como macro e micronutrientes, para todas as culturas agrícolas.
De acordo com José Marcos Nascimento, diretor comercial, um dos destaques será a tecnologia Mn25RR, um complexo de micronutrientes desenvolvido para suprir a demanda por elementos essenciais na fase vegetativa das mais diversas culturas. Seu uso resulta em plantas mais fortes e saudáveis, da raiz às folhas. “Também serão apresentados os produtos Potamol, N32, Kymon Plus, K50+S e o adjuvante de alta performance Disperse Ultra”, diz.
Para tornar a apresentação dos seus produtos mais dinâmica aos produtores e visitantes, a Ubyfol também levará novidades na estrutura do estande. O espaço contará com painéis e infográficos que apresentarão as principais características dos fertilizantes foliares para as culturas de grãos.
Perfil da região - O Planalto Central tem grande importância no planejamento estratégico da Ubyfol, com destaque para a produção de soja, milho, café, feijão e também HF, que inclui as culturas do alho, cebola, cenoura e tomate industrial. “A região proporciona excelentes oportunidades de negócios, com altas expectativas em inovações e resultados”, destaca Nascimento.
Ainda segundo o diretor, uma das formas eficientes de estar mais próximos aos produtores é por meio da participação em eventos agrícolas como a AgroBrasília. Essas feiras reforçam as estratégias comerciais e possibilitam a promoção de soluções eficientes para produtores de diversos portes. “Grandes eventos como este são ideais para troca de experiências e conhecimento, sendo considerados ainda uma das maiores oportunidades do ano para a realização de negócios”, finaliza.
A Ubyfol é uma multinacional brasileira com sede em Uberaba-MG. Possui um portfólio completo, com produtos de alta concentração, não sendo nocivos ao meio ambiente, oferecendo ao mercado uma nutrição foliar de máxima performance e garantia de altas produtividades. Com profissionais especializados, possui assistência técnica de qualidade, com processos de vendas consultivos e bem estruturados, além de um relacionamento diferenciado.

DF aposta no incentivo à produção de uva
A Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros do DF e Entorno (Asphor) e o Sindicato dos Floricultores, Fruticultores e Horticultores do DF (Sindifort) estão selecionando agricultores interessados em produzir uva no Distrito Federal. A parceria do sindicato com o Serviço Nacional de Aprendizagem Geral (Senar-DF) vai levar assistência técnica para apoiar o cultivo.
“Fechamos essa parceria para capacitar a área do DF na produção de uva”, explica a presidente da Asphor e do Sindifort, Sandra Vitoriano. “Quem entrar no projeto vai receber ajuda para produzir e empreender com qualidade, pois é um cultivo caro”.
A vantagem de cultivar uvas em áreas de clima quente, orienta Sandra, está no aumento da produtividade. “O clima frio do Rio Grande do Sul possibilita que se tenha apenas uma safra de uvas por ano. O Distrito Federal, por ter um clima mais quente, permite até duas safras. Temos um grande potencial para fruticultura, pois a cidade produz menos da metade das frutas que consome e os cultivos implantados na região têm apresentado produção e qualidade cada vez maiores.”
Investimento - Silvio Venturoli é um dos produtores que está apostando no plantio de uva. Em 2018, plantou meio hectare, o que corresponde a mais de 500 pés. Ele investiu em torno de R$ 9 mil na empreitada e pretende vender mudas e a fruta in natura. “Este ano vai ser o primeiro de safra e estamos esperando para enxertar novas mudas”, conta. “Utilizamos a mesma tecnologia que está sendo empregada no Vale do São Francisco.” Atualmente trabalhando com a chamada uva de mesa, o produtor estuda o plantio da uva vinífera, como a Shiraz (ou Syrah).
Venturoli explica que o investimento inicial no cultivo de uvas é alto. Ele alerta que é necessário investir em bons materiais, que garantem a sustentabilidade necessária às parreiras, pois as frutas começam a crescer e a pesar. “Caso a estrutura não seja forte o suficiente, tudo pode vir abaixo”, salienta.
O superintendente do Senar-DF, Everaldo Firmino, disse que quase 90% da uva que entra no DF chega de outros estados. “Podemos aproveitar o potencial da fruta in natura e o da produção de vinho”, adianta. “Já temos um produtor do entorno que faz um vinho de qualidade. Vamos ajudar a estruturar esse grupo de produtores e fazer um levantamento da viabilidade econômica da produção.” O Senar-DF vai oferecer assistência técnica, palestras e um levantamento de mercado para os produtores que aderirem ao projeto.

Nenhum comentário

Postar um comentário