Um país de salafrários



Márcio Accioly
(10/03/2019)

Dia desses, vimos o ministro Lewandowski (STF), dando ordem de prisão dentro de avião a passageiro que “ousou” dizer que o Tribunal a que ele pertence “é uma vergonha”. O ministro, que fatiou de forma ilegal o impeachment da então presidente Dilma Roussef, no Senado, ainda não sabia o que estava por vir. Se soubesse, procuraria não se expor.

Porque vergonha mesmo é o caso que ora pauta as redes sociais e os meios de comunicação sérios, mostrando arranjos entre o ex-ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores), o também ex-ministro Raul Jungmann (Defesa), o advogado José Roberto Santoro e o ministro Gilmar Mendes (STF), para soltar o criminoso Paulo Preto.

É o seguinte: o PSDB é legenda que abriga tantos criminosos e ladrões do dinheiro público quanto o PT. O chefe desses criminosos é Fernando Henrique Canalha, conhecido como Boca de Tuba, ex-presidente da República que comprou apartamento por milhões de euros, em Paris, sem justificar a origem dos recursos financeiros.

Gilmar Mendes sempre foi funcionário do PSDB, antes de ser nomeado por Boca de Tuba para o STF. E o STF? Ora, o STF é essa vergonha que a população inteira fala e comenta. Sem contar que Aloysio Nunes foi motorista de Marighela, à época em que assaltava bancos e matava desavisados, no período mais tenso do país (1964-85).

Quando foi para a Presidência da República, Fernando Henrique Canalha colocou Renan Calheiros como ministro da Justiça (07/04/1998 a 19/07/1999). Achando pouco, nomeou o terrorista e ex-motorista de Marighela para o mesmo Ministério (14/11/2001 a 03/04/02). Ali, Aloysio Nunes deitou e rolou no cometimento de crimes.


No livro “Assassinato de Reputações”, obra escrita em dois volumes por Romeu Tuma Jr., é contada a história do acordo feito por Zé Dirceu e membros do PT, com Aloysio Nunes, para abafar investigações com relação ao crime que vitimou Celso Daniel, prefeito de Santo André (SP). O problema é que no Brasil ninguém lê.


Tuma Jr. denuncia na obra que Lula da Silva, o ex-presidente Lularápio, não passava de informante de seu pai, à época Diretor da Polícia Federal. Quem se dispuser a passar os olhos nos dois volumes, verá histórias do chamado “arco da velha”. O Estado brasileiro é sucessão de roubos e assassinatos mal esclarecidos.

Prova disso é que a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) está solicitando que Paulo Preto, operador do PSDB que sabe dos roubos de Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin e, principalmente, do ainda senador, José Serra, vem sendo pressionado pela família para fazer delação premiada, correndo sério risco de vida.


Pois bem: o STF não apenas é uma vergonha como se apresenta compostos por pessoas que se estivessem num país sério e de cidadãos que cobrassem de seus homens públicos, boa parte estaria na cadeia! Se fizerem uma investigação a respeito do enriquecimento de Gilmar Mendes, ele não terá como sair incólume.

O próprio presidente do STF, Dias Toffoli, reprovado em dois concursos que fez para juiz de primeira instância, é acusado de receber cem mil reais de propinas mensais, dinheiro pago pelo escritório de advocacia de sua mulher. Quem fez a denúncia foi a revista digital Crusoé e nenhum órgão de imprensa dito sério a repercutiu.

A imprensa brasileira é toda comprometida. Basta ver que um de seus membros mais famosos, Elio Gaspari, foi flagrado com altíssimo salário, até bem recentemente, de uma dessas agências cabides de emprego que foram criadas por FHC. Por isso que a situação brasileira é tão grave e ainda poderá resultar em convulsão social.

Não apenas o STF é uma vergonha, mas toda a estruturação do Poder Judiciário. Nenhum juiz ou ministro foi ainda pego nos Tribunais, nas recentes operações que mandou até ex-presidente para a cadeia. Mas o nível da lama já passou do nível de afogamento.


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