Tá perdido?



Por Edinei Muniz (*)

Reproduzo abaixo, com integral fidelidade ao conteúdo, um diálogo que tive hoje com uma pessoa simples, dessas que muitos costumam dizer que não integram o rol dos chamados ''formadores de opinião' e que outros (muitos também) acham que são cegos, surdos e mudos para o que ocorre no espaço da vida pública e da política.

O diálogo se deu com um pequeno comerciante, dono de uma  modesta banquinha de vender bombons. 

Estávamos falando da crise e da situação caótica do Acre e lá pelas tantas fiz a seguinte pergunta: 

- E o que o senhor está achando do Gladson ?

Ele, arregalando os olhos, respondeu secamente em tom de decepção e bastante ríspido. 

- Tá perdido!

Eu, sério em tom de surpresa, o interpelei novamente: 

- Como assim, tá perdido?

Ele, agora já menos ríspido e com uma expressão de autoridade no assunto, prosseguiu e esclareceu sua conclusão? 

- Ora, vou te dizer, meu irmão, ele errou feio já no começo? 

Insisti e pedi que esclarecesse:

- Errou no começo? Como assim? 

E ele fechou a conversa: 

- Não gosto desse negócio de política, mas vou te dizer uma coisa, o cara pegou uma bucha que o PT deixou neste estado e agora chamou o PT. Me diz, como é que vai mudar alguma coisa? Vai ser pior que o outro. A política é suja. São todos da mesma panela. Eu votei nele pq queria mudanças. O povo queria mudanças.

Essa frase TÁ PERDIDO não está só na boca do senhor com quem tive o referido diálogo. Ela virou quase uma senha de abertura de qualquer conversa onde o assunto for governo Gladson. 

Ou seja: as críticas a Gladson já brotam em todos os espaços e estão sendo manifestadas de modo áspero de Santa Rosa do Purus a Assis Brasil. 

Dentro do TÁ PERDIDO, se fizermos, com humildade, uma reflexão séria e honesta, não tenho dúvidas, encontraremos muitos elementos úteis. O mapa da viagem está lá e é visível. Aliás, nitidamente visível. Basta que tenhamos, em tempo, disposição e boa vontade para extraírmos lições dos erros e a principal delas é não desafiarmos a nitidez deles. 

Da minha parte, não concordo que Gladson esteja perdido. Gladson apenas não achou ainda a melhor trilha a seguir, até porque a viagem ainda irá começar, apesar do trem já ter partido. 

O que Gladson não pode é ignorar o risco de seguir pelo caminho errado e ter que encarar a dureza das pedras sabendo do peso da sua mala de viagem e o risco do trem descarrilar antes mesmo de pegar velocidade ou até mesmo que nunca pegue velocidade. 

Não acredito que Gladson irá optar pelo caminho das pedras da impopularidade, até pq sabe que fatores naturais ao seu governo por razões históricas e conjunturais, também tendentes a tal, já estavam presentes desde o primeiro dia de mandato. 

Não creio que Gladson opte por ampliar o volume de impopularidade somando a que já viria naturalmente com aquela oriunda de fatores não naturais  tão plenamente evitáveis. 

Não creio que Gladson não esteja refletindo. 

Gladson não está perdido. Gladson apenas instalou na cabine do maquinista da locomotiva pessoas sem bilhete de viagem. E outros alojou indevidamente nas janelas. 

Mas o trem ainda não vai longe  e AINDA HÁ TEMPO de mandá-los descer na próxima estação, ou que ao menos os retirem das janelas.

(*) Edinei Muniz é advogado


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