Garantias da União? De que modo, meu irmão?

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Por Edinei Muniz (*) 

Hoje, como, de regra, sempre faço, de boa vontade e com o fito único e exclusivo de ajudar - Não adianta, não desistirei! Não dá para desistir do Acre! -, citarei quatro lances vindos de diferentes setores do governo, e que, interpretados em conjunto, acabam por obrigar-me a ter que concordar com a voz corrente que já aponta gravemente na direção da existência de um governo totalmente perdido, sem rumo e já em aparente -  e decadente - estágio terminal. 

E o que é mais duro e desesperador: um governo gravemente acometido de uma cegueira arrogante que o impede de enxergar até mesmo o óbvio ululante. Ou seja: a necessidade de planejamento e integração das ações de governo! 

Vamos lá! Vejamos os quatro episódios!:

Dias atrás, a imprensa noticiou que Gladson esteve reunido com o Ministro da Fazenda visando renegociar as 'taxas de juros' dos empréstimos contraídos ao longo das quatro gestões petistas. Cite-se, junto à Caixa Econômica, BNDES e organismos financiadores internacionais. 

Detalhe: a imensa maioria dos citados empréstimos foram firmados mediante 'garantias da União'. 

 Garantias da União? Sim! Guardem esse detalhe, lembrarei dele mais à frente!

Vamos ao segundo lance: desavisado, o Secretário de Infraestrutura, o Thiago Caetano,  em cima da fala do governador, quase como um 'ato contínuo', veio à boca do palco e afirmou que iria alterar o objeto da obra do Museu dos Povos Acreanos. 

A referida obra, como se sabe, vem sendo tocada com recursos de empréstimos obtidos junto ao Banco Mundial. 

Detalhe: o empréstimo em questão também foi firmado com garantias da União. 

Garantias da União?  Sim! Garantias da União! Segunda advertência: guardem o termo! Será útil mais à frente! 

Sigamos para o terceiro lance: dois ou três dias depois do primeiro e do segundo lance, veio o meu amigo Raphael Bastos, o Secretário  de Planejamento e por meio de entrevista concedida ao Jornal A Tribuna afirmou que seria razoável ao governo propor ao Banco Mundial uma renegociação, relativamente radical, dos objetivos dos empréstimos externos. Segundo ele (e não está errado, desde que com cautela), visando adequá-los ao modelo sugerido por Gladson no seu plano de governo.

Detalhe: a renegociação pleiteada pela área de planejamento terá que ser analisada pelo Tesouro Nacional. E pq? Pq exige garantias da União, ué! 

Garantias da União? Sim! Sim! Garantias da União! Já perto do último lance, na verdade, o lance fatal, faço a terceira advertência: guarde esse termo!

Vamos agora ao lance fatal: ontem, como de regra faço diariamente, eis que abro o Jornal Valor Econômico e sou surpreendido com uma triste notícia: O ACRE ENCONTRA-SE, POR DESLEIXO DA EQUIPE ECONÔMICA DE GLADSON, IMPEDIDO DE OBTER GARANTIAS DA UNIÃO. 

Garantias da União! Sim! Sim! e Sim! Garantias da União! Pois é! Garantias da União! 

Como devo presumir que meus leitores não são burros, já que tudo aqui me parece autoexplicativo, farei apenas um questionamento óbvio: será que a turma do governo, em meio à tantas renegociações que dependem do 'aval' da União, combinou os planos com o Paulo Guedes, já que as tais garantias da União partem do gabinete do mesmo?

Planejamento, meus queridos! Planejamento! E eficiência administrativa, claro! 

(*) Edinei Muniz é professor, advogado e articulista. Escreve artigos de opinião no jornal A Gazeta e no Site Direto do Planalto.


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