Desvios permanentes

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Márcio Accioly

O Brasil é um país perigoso, extremamente perigoso. O que existe de ódio, acumulado nas pessoas, pode estourar em qualquer incidente, a qualquer momento. Mas nossas “autoridades” nada percebem. Que fazer num país onde o presidente da República se vê incluído no rol dos mais desonestos e os fatos dizem ser ele comprovadamente ladrão?


Nas recentes manifestações em Paris, milhões fizeram greve, quebraram carros e destruíram parte do patrimônio público e do privado, em função de aumento dos combustíveis anunciado pelo primeiro-ministro, Edouard Philippe. Foi aumento de centavos, coisa que, aqui, seria perfeitamente aceitável. A revogação foi rápida.


No Brasil, quando Pedro Parente foi nomeado presidente da Petrobras (maio de 2016), instituiu política de preços onde os combustíveis subiam diariamente. A gasolina estava em R$ 3,47 e passou, em algumas cidades, para mais de R$ 5. Todos aceitaram passivamente. Até a greve dos caminhoneiros (21 de maio de 2018), dois anos depois.

Na Petrobras, Parente foi para sanear e moralizar, mas não conseguiu enxergar o roubo que continuou em vários setores, mesmo depois das investigações, condenações e prisões efetuadas sob a batuta do juiz federal Sérgio Moro. Parente, sempre louvado e incensado como “honesto”, foi ministro três vezes de um dos governos mais corruptos de nossa história, o de FHC, conhecido como “Boca de Tuba”.

Apesar da proclamada “honestidade”, Pedro Parente se envolveu em questão altamente polêmica ao antecipar pagamento de dívida da Petrobras com o banco JP Morgan, no valor de R$ 2 bilhões. A dívida venceria em 2022, mas ele a pagou quatro anos antes! Tudo ficou como normal e sem muito questionamento ou pressão que o constrangesse.

Tudo isso com o dinheiro de empresa estatal onde os desvios continuam até os dias de hoje, apesar das pressões, das prisões pela roubalheira denunciada, apesar de tudo. Com a greve dos caminhoneiros, Parente se demitiu da Petrobras e ninguém falou mais nele, nem no que fez enquanto esteva à frente da empresa.


Donde se pergunta: se isso tivesse acontecido na França ou em outro país tido como “mais civilizado” teria passado assim, em branco? Importante lembrar que a gasolina nunca mais baixou e os brasileiros continuam metendo a mão no bolso e entregando o que lhes é cobrado.

Com a desmoralização de nossas instituições, e a falta total de crédito nas autoridades, (que não conhecem o significado das palavras respeito e vergonha), no dia em que essa população despertar, o mais aconselhável será não colocar, sequer, a cabeça na porta da rua. Um dia, não fica difícil adivinhar, essa estrutura podre vai ruir a fogo e sangue.



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