De 571 especialistas cadastrados no CRM-AC, menos da metade atua na rede pública do estado

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O Conselho Regional de Medicina no Acre (CRM-AC) tem 571 médicos especialistas cadastrados. Destes, apenas 265 atendem na rede pública do estado, sendo que seis são temporários. Nos últimos anos, a falta de especialistas em muitas das 22 cidades acreanas tem sido o gargalo da gestão estadual.
Nos hospitais no interior do estado, o clínico-geral acaba fazendo o papel de anestesista, ginecologista e outros atendimentos para que o paciente consiga se reabilitar. Muitas vezes também recorre aos mutirões de atendimento e ao Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
A direção de atenção à Saúde da Secretaria Estadual explica que a contratação desses profissionais em algumas cidades se dá porque também é difícil montar grandes centros que ofereçam o tipo de estrutura necessária para o tratamento.
Maioria dos profissionais está em Rio Branco
Atualmente, a Secretaria de Saúde (Sesacre) diz que está dividida em três regionais que possuem especialistas.
“Estamos configurados em três regionais de saúde: a do Juruá, Baixo Acre Purus e Alto Acre. Então, é menos custo para o Estado e mais benéfico à população que tenhamos um especialista na sua regional, porque se não consigo vincular ele em 30 dias, pelo menos a cada 15 dias, tenho a ida desse profissional especialista na regional”, justifica Jiza Lopes, diretora de Atenção à Saúde.
Dos mais de 260 médicos do estado, a maioria se concentra em Rio Branco. A Sesacre diz que isso é devido ao Hospital de Urgência e Emergência (Huerb) e maternidade.
Em seguida, vem a regional do Juruá, que atende mais de cinco cidades. “O que é eletivo, mandamos o profissional da capital para que o paciente não tenha que se deslocar para Rio Branco, onde tenho uma gama de profissionais”, explica.
Jiza diz que um dos serviços mais caros é o de neurologia, tanto em relação à estrutura, como o custeio de profissionais.
“Temos uma empresa que presta serviço. Neurologia está caro, é um dos mais caros no serviço público. Em casos urgentes, temos a UTI aérea, que é quando o paciente é estabilizado na unidade de origem e temos essa logística em todos os municípios”, justifica.
TFD e economia
Outro serviço usado pelo governo como uma forma de amenizar a falta de especialistas nessas cidades é o TFD. Só em 2017, o programa atendeu mais de 7,6 mil pacientes - um investimento de R$ 14,8 milhões.
Quando o Estado não tem condições de resolver um problema de saúde, ele encaminha o paciente para a capital ou até para outro estado.
“Fizemos uma economia de mais de R$ 2 milhões encaminhando especialista para a regional do Juruá em casos de atendimento eletivo. A gente conseguiu reduzir essa demanda com esses mutirões - uma economia significativa”, destaca Jiza.
Profissionais de carreira
O estado dispõe de 46 especialidades, entre os 265 médicos da rede pública. Todo o efetivo de especialistas do estado é menos da metade do que o CRM tem registrado.
A presidente do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM-AC), doutora Leuda Davalos, diz que há anos o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem lutado para incluir a carreira de estado. Segundo ela, essa medida resolveria o problema.
“Não adianta mandar especialistas e não dar condições de trabalho. É muito difícil um médico ir para um município isolado, por exemplo, sem garantia de nada e sendo mal remunerado. A carreira de estado resolveria isso e é por isso que CFM luta há bastante tempo”, finaliza.
fonte  g1.globo.com


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