Interoperabilidade bancária pode levar caixas eletrônicos a municípios afastados

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Para a consultoria JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados, a interoperabilidade entre redes de autoatendimento bancário trará mais acessibilidade, aumentará a concorrência e, consequentemente, reduzirá o custo das operações. Ela é essencial para oferecer mais acessibilidade bancária à população

Apenas cerca de 600 dos 5.570 municípios brasileiros têm acesso à rede de autoatendimento bancário 24h (dados Tecban). O fato de atingir somente aproximadamente 10% das cidades mostra que a distribuição de ATMs (Automated Teller Machine) não atende à demanda de um país em que 96% das pessoas têm o “dinheiro vivo” como principal meio de pagamento (dados do Banco Central). De certa forma, parte da demanda da população poderia ser compensada pelo atendimento online da rede bancária. Porém, considerando que menos de 65% dos brasileiros tem acesso à internet (dados IBGE), estima-se que a alternativa não alcance principalmente os municípios com população menos assistida.


Para José Luiz Rodrigues - da consultoria JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados - o Brasil caminha lentamente no processo de interoperabilidade, em oposição a outras formas de estímulo à concorrência, tais como os arranjos e instituições de pagamentos, pagamento instantâneo, cartões e fintechs.

Entre as mudanças que apontam para essa movimentação do mercado, vale citar a diretiva de 2006 que viabilizou que as empresas de cartões de crédito interoperassem e, assim, foi reduzida a quantidade de máquinas no comércio em geral. E, mais recentemente, foi aprovada a Lei n° 12.865 que trata de arranjos e instituições de pagamentos que permitiu, entre outros, a liquidação de débitos fora do mercado bancário - antes limitada praticamente a TEDs e DOCs.

“O Brasil é muito criativo em soluções, mas ainda faltam algumas conquistas para trazer acessibilidade para municípios mais afastados e à população menos atendida. O atendimento bancário 24h precisa ser mais acessível à população. É importante incentivar a concorrência bem como aperfeiçoar a sistemática hoje disponível no mercado financeiro”, aponta José Luiz Rodrigues.
Open Banking

A iniciativa visa disponibilizar um conjunto mais amplo de transações bancárias tanto para pessoas físicas como jurídicas. Dessa forma, a evolução do sistema financeiro indica que o país segue firme rumo ao chamado Open Banking, que propõe que as instituições financeiras compartilhem informações de maneira segura entre si por meio de APIs - Interface de Programação de Aplicativos.

Outro dado relevante quando a pauta é Open Banking é a quantidade de brasileiros desbancarizados, ou seja, aqueles que até acessam a rede bancária para efetuar pagamentos, mas não possuem nenhum relacionamento com instituições financeiras. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 60 milhões de pessoas não se relacionam de nenhuma maneira com instituições bancárias.

É por essa razão que José Luiz Rodrigues aponta que a entrada das fintechs no mercado, com soluções bancárias repletas de tecnologia, é uma contribuição positiva para provocar de fato o Open Banking no Brasil. “O Brasil já tem mais de 400 fintechs em operação e isso tem gerado uma evidente mudança de comportamento no sistema financeiro. Muitos bancos de grande porte inclusive já fecharam parcerias com fintechs. Esse é um importante caminho para que as informações estejam cada vez mais disponíveis ao consumidor final, com um custo reduzido, maior acessibilidade e mais poder de escolha”, conclui o especialista.


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