Retrato do Brasil

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Por Márcio Accioly (*)

No último dia 26 de setembro, o ex-ministro da Casa Civil Zé Dirceu concedeu entrevista ao jornal espanhol El País em que, entre outras, declarou: “dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder”. Apesar de condenado a mais de 30 anos de prisão, já em segunda instância, sua ex-excelência está solto e ditando regras.
                
Na roubalheira do mensalão, Zé Dirceu foi condenado “por corrupção ativa e formação de quadrilha”, mas foi indultado em novembro de 2016 por um dos paladinos da moralidade no STF, ministro Luís Roberto Barroso. É uma Corte de homens sábios e puros.

É inacreditável uma pessoa de comprovada periculosidade afirmar que o seu grupo irá tomar o poder, “o que é diferente de ganhar uma eleição”, e ficar por isso mesmo. Se a gente refletir um pouco sobre o que de fato acontece no Brasil, entenderemos perfeitamente o que ocorre na Venezuela.

A Cidade de Santa Elena de Uáiren é a primeira da Venezuela, quando se atravessa a fronteira brasileira no município de Pacaraima. Ali, os mercados viviam abastecidos e a economia se movimentava com brasileiros que vinham de Boa Vista comprar víveres e frequentar seus agradáveis restaurantes.

Pois bem: no último mês, estive em Santa Elena e presenciei sua decadência. As Panaderías (Padarias), já não vendem saborosos pães de então, pois não têm mais trigo. A mortadela (seja lá do que for) é tubo de massa cinzenta, desenxabida, insulsa, dessaborida. Sem contar que a população está comendo gatos e cães domésticos.

Este tipo de desgraça e ruína, plano elaborado na comunização da América Latina, com a criação do Foro de São Paulo (1990), expõe a fragilidade de um Continente (Sul-Americano), analfabeto e dominado pelo coronelismo político. O desmonte de tal sistema se dá com muita violência e dor.

Basta observar o que vem acontecendo nos demais países que entronizaram caudilhos: Bolívia (Evo Morales), Nicarágua (Daniel Ortega) e por aí vai. Remover tal bloco do poder é tarefa difícil, pois há sempre quem os defenda.

Basta constatar que um dos países mais atrasados e miseráveis do mundo (Cuba), tem ditadores e assassinos como Fidel Castro e Che Guevara louvados por “intelectuais” e professores universitários da dita esquerda do mundo.

Nesse contexto, se a entrevista de Zé Dirceu (vinte dias depois do esfaqueamento do candidato Jair Bolsonaro), não consegue assustar a mais ninguém, é possível que a população não se horrorize com mais nada do que possivelmente ainda está por vir.

(*) Márcio Accioly é jornalista.


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