Risco PT e a prova de fogo de Geraldo Alckmin

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Por Edinei Muniz (*) 


Diante das possibilidades que lhe restam, Alckmin não está errado ao encampar propaganda negativa contra Bolsonaro exaltando o argumento de que o mesmo seria potencialmente mais forte frente ao petismo em eventual segundo turno. 

A subida de Haddad, que fatalmente será captada pelo Datafolha de logo mais, sem chance de ser diferente, provocará um efeito 'inquietante' na mente de uma parcela considerável do eleitorado antipetista, indo do centro à borda da extrema-direita, mas com potencial a gerar impactos mais graves ao centro, que é onde a base do tucano vem apresentando sinais de estagnação. 

Tal efeito, por tendência, se é que é possível seguir a lógica na atual disputa presidencial, poderá atingir em cheio - e isso parece bem elementar - a reflexão daqueles que rejeitam o PT e estão próximos de Bolsonaro menos pelo ideário Bolsonarismo e mais pela força demonstrada pelo candidato do PSL até aqui contra o petismo, contra a centro-esquerda, e, principalmente contra os interesses nada republicanos vindos do circuito Lula, José Dirceu, Hoffman, Lindenberg e toda a turma que lidera e promove a gritaria mais irritante do PT.

É simples, à medida que o risco PT for subindo (não duvidem, subirá) a tendência é que tal quadro gere inquietude no campo da direita, fato que poderá, repito, poderá, promover certo trânsito de eleitores no circuito Bolsonaro/Alckmin. 

A dúvida é se esse trânsito será mais intenso na direção Alckmin/Bolsonaro ou na via mais estreita, que seria Bolsonaro/Alckmin. 

No entanto, o risco maior, seja qual for a direção do trânsito, aparecerá se a direita ficar andando em círculos em meio às 'campanhas negativas' de desconstrução que devem ser direcionadas de parte a parte nos próximos dias. 

Tal quadra, caso se confirme, tenderá a ampliar a desesperança no campo dos contrários ao petismo, com risco elevado de perdas globais no tecido social potencial da direita. 

De qualquer sorte, o mais provável, dentro de uma aposta razoável, no meu sentir, é que o trânsito siga pela via Bolsonaro/Alckmin com maior intensidade, impulsionado pelo maior nível de polarização de Alckmin com Haddad nas próximas semanas em razão do tempo de televisão e também pq a narrativa de "golpe", e de vitimização de Lula, na visão dos petistas, encontra um encaixe amplamente mais favorável a eles caso consigam resgatar a tradicional polarização PT/PSDB. 

A tendência é que os próprios petistas acabem por promover o rompimento da letargia de Alckmin. O agente disso poderá ser o próprio crescimento do 'risco PT'. Inimigos históricos se atraem na lei da política. 

E por que os petistas preferem chamar Alckmin para o centro do ringue? 

Por um motivo elementar: para terem ganhos com a narrativa de golpe é necessário que joguem o legado de Temer no centro do debate, cenário que estão  encontrando dificuldades com Bolsonaro, já que, conforme nota-se com extrema facilidade, o mesmo optou por marcar posição contrária tanto frente ao golpismo saltitante do PT quanto à impopularidade de Temer, cujo governo é propagandeado pelos petistas como "golpista".

Enfim, o PT prefere, por opção tática, duelar com Alckmin e o PSDB, para, agindo assim, lançar Temer no colo tucano e partir para a retórica do comparativo. 

De outra banda, o temor petista à figura de Bolsonaro em eventual segundo turno é grande. E é grande pq Bolsonaro está imunizado contra Temer. 

Ja no tocante à opção brancos e nulos, que vem nunca crescente histórica, vejo Bolsonaro e Alckmin com maiores potenciais de captação, já que me parece que a percepção da gravidade do 'risco retorno do PT', em razão da carga crítica contra eles, acumulada ao longo dos anos, e também a carga apelativa agasalhada no cerne da chapa de Haddad, ser muito maior.

O Datafolha de hoje será a última chance de Alckmin. Se o risco PT não romper a letargia o tucano será carta fora do baralho.

(*) Edinei Muniz é advogado


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