A inquietude do voto consolidado é hoje a maior arma de Bolsonaro

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Por Edinei Muniz (*) 


Quase 80% daqueles que afirmam aos institutos de pesquisa que votam em Bolsonaro na espontânea repetem a mesma intenção de voto na estimulada. 

Sabem como se chama isso tecnicamente? Voto consolidado. Voto cristalizado. Voto que dificilmente muda, e que, de regra, cresce bastante na reta final, segundo mostram as estatísticas históricas. 

Nas  pesquisas  espontâneas, a  lista  de candidatos  não  é  apresentada  previamente  ao  entrevistado. Logo,  o entrevistado  responde em  quem  tende  a  votar  sem  saber a  lista de candidatos possíveis. 

A pesquisa espontânea  pode  ser vista  como o  “piso” de  votos. No tocante a tal “piso", a diferença entre Bolsonaro e os demais é imensa. E deve crescer muito mais em razão do atentado da rua Halfeld. 

Vejamos o que dizem os números: em 30 anos, de 1989 até os dias atuais, em apenas duas oportunidades houve queda do "piso", ou seja, dos votos espontâneos, na reta final. Foi o caso da Marina em 2014 e do Ciro Gomes em 2002. 

Em  80% dos casos, as  intenções  de  votos em  pesquisas espontâneas  sobem  ao  longo  da  reta final  da eleição. Claro, quanto mais consolidado o voto e mais forte for a certeza do eleitor, maior será  a tendência desse mesmo eleitor atrair outros para a mesma ideia. 

Enfim, quanto mais consolidada a intenção de voto, mais inquieta será a postura do eleitor. E isso é fácil de perceber quando olhamos para a os eleitores de Bolsonaro. Alguém duvida que a base do capitão é a mais vibrante? Teria que ser cego para duvidar. 

Repetindo: de um  mês  antes  do  primeiro turno  até  o primeiro turno,  há  apenas  dois  casos, desde  1989,  em  que  houve queda nas  intenções  de  voto em  pesquisa  espontânea:  Ciro Gomes  (2002)  e  Marina  Silva  (2014). 

E tem mais: a tese petista de que os eleitores de Bolsonaro representam uma minoria de tapados sem noção passa longe, muito longe, da realidade captada, de forma unânime, pelos diversos institutos de pesquisa. 

O que temos visto, contrariando a tese desesperada dos petistas, é que Bolsonaro é hoje o candidato com maior grau de uniformidade nas intenções de votos por faixa etária, escolaridade e renda. 

Enfim, ninguém possui desempenho mais uniforme nos diversos segmentos do eleitorado do que Jair Bolsonaro. Não adianta, para onde você olhar irá encontrar  eleitores do Bolsonaro. E como são vibrantes e inquietos é impossível não percebê-los. Estão em todos os lugares. 

Trocando em miúdos, Bolsonaro conta hoje com o fator vítima, que constrange e estanca o avanço de ataques dos seus adversários; com o fator exposição midiática, que compensa o pouco tempo de televisão; com o fator inércia daquele que, em tese, representa seu maior adversário dentro do próprio campo (Alckmin), e conta ainda com o fator divisão dos votos do espólio de Lula, espaço onde até o próprio Bolsonaro consegue capturar votos. E, não duvidem, não serão poucos.

E quanto mais a esquerda tentar avançar dividindo o país em diversas frentes mais a direita irá unir o Brasil em frente única e consolidada.


(*) Edinei Muniz é advogado

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