Hexa: Orgulho de quatro letras e seis títulos

Nenhum comentário
Um é pouco, dois é bom, três é demais e seis... é luxo. Com mais de 30 mil espectadores nos Aflitos, em uma tarde de domingo do dia 21 de julho de 1968, o Náutico encarou o Sport, na final do Campeonato Pernambucano. O título foi decidido na prorrogação, com o gol de Ramos. Vitória por 1x0 e sexta taça seguida para o Alvirrubro de Rosa e Silva. O dia em que o Timbu foi hexa. Um feito que completa 50 anos neste sábado (21).

Um jogo que deu vida à gritos de guerra, frases emblemáticas e um orgulho ainda inalcançado pelos rivais. Quem viu, não esquece. Antes de 1963, o Náutico colecionava apenas oito títulos estaduais, com um tricampeonato entre 1950 e 1952. O maior campeão da época era o Sport, com 19 conquistas. O Timbu não levantava a taça desde 1960, enquanto o rival rubro-negro vinha de um bicampeonato.

Técnico do Náutico na campanha do hexacampeonato, Davi Ferreira, o “Duque” só comandou o clube a partir de 1964. Saiu em 1965 e logo em seguida voltou para treinar a equipe nos três títulos finais da sequência. Antes dele, o Timbu teve o argentino Alfredo Gonzalez no banco de reservas. Mas um dos grandes responsáveis pela montagem do elenco foi outro nome. "Alexandre Borges era o treinador do juvenil na época e juntou Gena, Nado, Bita, Lala...a média do nosso time era abaixo dos 20 anos”, disse o ex-jogador e ex-presidente do clube, Ivan Brondi.

São vários os nomes que se destacaram nos seis anos de ouro do Náutico. Driblador nato, Nado encantou o técnico Helmut Schoen, em um amistoso da Alemanha contra a seleção pernambucana, em 1965, na Ilha do Retiro. “Ele é melhor que Garrincha”, cravou. Já Bita era o “homem do rifle”, por causa da sua pontaria e força do chute. Ele foi artilheiro do campeonato três vezes consecutivas, em 1964 (24 gols), 1965 (22) e 1966 (20), além de ser o maior goleador da história do Timbu, com 223 gols.

O Náutico não foi somente o primeiro (e ainda único) hexacampeão estadual. O clube também foi o pioneiro na conquista do tetracampeonato pernambucano. Em 1963, os alvirrubros desbancaram o Sport, com vitórias por 3x2 e 4x2. Brilhou o trio formado por Rinaldo, Bita e Nino. No ano seguinte, após saída de Gonzalez e chegada de Duque, não houve final, já que os alvirrubros, de forma invicta, ganharam os dois turnos.

Em 1965, treinado por Antoninho, o Náutico evitou o desmanche do elenco para alcançar o tricampeonato. Nado saiu no ano seguinte para o Vasco, mas não antes de ser convocado por Vicente Feola para uma série de amistosos do Brasil em 1966, tornando-se o primeiro alvirrubro a ser convocado de forma direta para a seleção verde-amarela. O tetra, também perante o Leão, veio com uma goleada por 5x1 nos Aflitos, a maior em finais do Pernambucano. O pentacampeonato estadual em 1967 e o vice da Taça Brasil deram ao clube um status maior na temporada seguinte, marcada pela disputa da Libertadores da América - primeiro clube do Estado a disputar o torneio.

O Náutico não teve vida fácil em 1968. Ramos, de pênalti, deu ao Timbu a vitória por 1x0 na primeira das três decisões. A segunda partida terminou 3x2 para o Sport. A finalíssima foi resolvida nos Aflitos. "Tivemos vários lances para marcar. Entrei pelo lado direito e fiquei de frente ao gol. Mas ouvi um apito e deixei a bola correr. O problema é que o som veio das arquibancadas e não do árbitro. Eu deveria ter feito o gol para resolver a história logo", lamentou Brondi. Mas o herói daquele dia seria outro. Aos 13 minutos da prorrogação, Ede lançou Ramos e o atacante só escorou para marcar o gol mais importante da sua carreira. Nascia assim o hexa.



FOLHAPE


Nenhum comentário

Postar um comentário