Bombeiros ainda atuam contra incêndios na Grécia; número de mortos aumenta

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Mais de 480 bombeiros ainda trabalham nesta quarta-feira (25) no combate aos incêndios que atingem a Grécia desde segunda-feira. O último balanço dos bombeiros mostra que 80 pessoas morreram, mas o número pode aumentar porque há muitos desaparecidos.

Uma mãe polonesa e seu filho estão entre os mortos, segundo o governo de Varsóvia, assim como um cidadão belga, indicou o Ministério das Relações Exteriores da Bélgica, de acordo com a France Presse. Mais de 180 pessoas ficaram feridas.

Mais de 280 bombeiros atuam na área a nordeste de Atenas, na região de Rafina, apagando as chamas remanescentes para evitar que o fogo volte a se espalhar.

Com ajuda de um helicóptero, outros 200 bombeiros jogam água em uma área no oeste de Atenas, perto de Agioi Theodori. Nesta região, autoridades esvaziaram durante a noite preventivamente três comunidades, um acampamento de verão para crianças e três mosteiros.

Desaparecidos

Os socorristas continuam a busca, especialmente na cidade de Mati e em Kokkino Limanaki, um bairro da cidade portuária de Rafina, a cerca de 40 quilômetros de Atenas, onde há centenas de casas e de veículos queimados. As equipes de resgate entram de casa em casa, de acordo com o jornal grego “Ekathimerini”.

A brasileira Tuca Oliveira, que mora na cidade de Rafina, contou ao G1como fugiu do incêndio. A videomaker relatou que assistia, do lado de fora de casa, à movimentação dos helicópteros usados no combate às chamas. Ela e o marido, o grego Freddy Stefanakis, notaram que havia algo errado quando as aeronaves se perderam na fumaça, que se tornou cada vez mais densa.

"Em 20 minutos, pegamos os documentos, passaporte, e saímos com a roupa do corpo", contou a videomaker Tuca Oliveira.

Piores em mais de uma década

Os incêndios dessa semana na região de Atenas são considerados os piores a atingir o país em mais de uma década. A última grande tragédia desse tipo foi registrada em 2007, quando dezenas de pessoas morreram na península do Peloponeso, no sul.

A Procuradoria da Suprema Corte abriu uma investigação sobre as causas dessa tragédia. O porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopulos, disse nesta terça-feira que houve "15 focos de incêndio simultâneos em três frentes diferentes" em Ática.

O país teve um inverno considerado seco no início deste ano. As altas temperaturas do verão e os ventos fortes - de mais de 100 km/h – contribuíram para que as chamas se alastrassem rapidamente.

Centenas de pessoas ficaram presas no balneário de Mati, na noite de segunda-feira (23). Muitos morreram sufocados em seus carros ou presos na beira de penhascos íngremes enquanto tentavam escapar das chamas indo na direção ao litoral.

Mais de 700 pessoas foram retirados por via marítima até o porto de Rafina por barcos de patrulha costeira e embarcações particulares. Seis pessoas foram encontradas mortas no mar.

O governo da Grécia ativou o mecanismo europeu de defesa civil e fez um apelo por ajuda internacional. Na terça, aviões de combate a incêndio vindos da Espanha e voluntários do Chipre chegaram. Itália, Alemanha, Polônia e França enviaram reforço. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, declarou três dias de luto.

Repercussão

"A Comissão Europeia não poupará esforços para ajudar a Grécia", tuitou o presidente do órgão, Jean-Claude Juncker.

"A dor dos afetados atinge todos nós", declarou a chanceler alemã, Angela Merkel.

O Papa Francisco transmitiu "sua profunda tristeza", enquanto o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, expressou "a solidariedade" da Aliança.

O Itamaraty divulgou uma nota sobre os incêndios e informou que não há brasileiros entre as vítimas.

“O governo brasileiro recebeu, com pesar, a notícia dos incêndios florestais ocorridos na região da Ática, na Grécia, que causou dezenas de mortes e grande número de feridos, além de perdas materiais. Ao expressar suas condolências aos familiares das vítimas, o governo brasileiro manifesta sua solidariedade ao povo e ao governo da Grécia. Até o momento, não há registro de brasileiros vitimados pelos incêndios”, afirmou o governo brasileiro.

Vilarejo destruído

A pequena cidade de Mati costuma atrair turistas locais, como idosos e crianças que buscam colônias de férias. O vilarejo, onde as autoridades encontraram a maior parte dos mortos até o momento, foi destruído pelas chamas.

Na terça, a descoberta de 26 corpos carbonizados em uma casa de Mati comoveu o país. Entre os mortos, havia crianças pequenas. Foram encontrados abraçados em grupos "em uma última tentativa de se proteger", contou o socorrista Vassilis Andriopulos, de acordo com a France Presse.

"Mati não existe mais nem mesmo como um pequeno povoado. Eu vi corpos e carros queimados. Tenho muita sorte de estar viva", disse uma mulher à rede de televisão grega Skai.



G1


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